Título original: The Perks Of Being a Wallflower
Título nacional: As Vantagens de Ser Invisível
Autor: Stephen Chbosky
Editora: Rocco
Páginas: 223
"Com amor, Charlie."
Acho que deveria existir alguma forma de a gente ser imune a decepções com livros. As Vantagens de Ser Invisível deveria ter figurado em um post sobre leituras empacadas, mas eu decidi finalizá-lo nesse feriado. E olha, foi difícil fazer a leitura andar, e tentativas não faltaram fiz de tudo pra gostar da história, mas não deu!
Desde que assisti ao filme, empolgada por ter no elenco atores de que eu gosto muito, relevei algumas cenas, mas no geral apreciei a adaptação e permaneci ansiosa por ler o livro, pensando que ele teria mais detalhes e que tinha tudo pra ser meu favorito, ledo engano...
Vamos a história, o livro é todo constituído de cartas que o protagonista, Charlie, escreve para uma pessoa anônima. Ele é um garoto muito solitário, seu único amigo suicidou-se, um de seus parentes por quem ele nutria grande afeição também faleceu, e o que lhe resta são os livros. No entanto, sua vida monótona começa a ganhar cor na sua nova escola, onde ele conhece Sam e Patrick, ambos mais velhos do que ele, e seu professor (melhor personagem, na minha opinião, queria ter tido um professor assim) que o apresenta a vários livros.
Sam e Patrick, são os responsáveis por tirar um pouco da inocência de Charlie, o convidando para inúmeras festas onde só rolam drogas, sexo e rock in roll. Eu poderia até resumi-lo como sendo 220 páginas de festas, piadas de adolescentes sobre sexo, irresponsabilidades e inadequação. Ao longo da história o leitor sabe que Charlie tem algum problema de saúde mental, e não apenas por não se encaixar no mundo e por sua dificuldade em fazer amizades. Há várias passagens em que ele tenta fugir da realidade, ora lendo ora se obrigando a escrever cartas. Outras vezes ele cria cenas, situações imaginárias de seus novos amigos, como se elas fossem reais. E seus pais também o tratam de uma forma diferente, comedida. Depois de ter se envolvido com Sam, garota por quem ele tem uma queda, e Patrick, o protagonista começa a ter vários vícios e acredito que isso tenha piorado seus delírios.
Enfim, não sei se o livro é uma crítica a como os jovens de hoje são invisíveis para a sociedade, procurando do lado de fora algo que os faça bem por dentro... Ou a ideia era passar que existem muitos Charlies, desajustados, solitários e que o universo deles se baseiam em drogas, bebidas e sexo, isto é, vivendo na superfície, com receio de saber o motivo de sua inadequação. Levando uma vida com se não existisse amanhã. Seja qual for a ideia, não me agradou, fiz de tudo para salvá-lo, mas a história foi repetitiva a cada capítulo, e olha que o livro é dividido em quatro partes e eu não percebi mudança alguma. Os personagens continuaram imaturos mesmo com a passagem de tempo. O lado bom foi alguns quotes que as observações de Charlie renderam. Preciso dizer que ele é bem perceptivo, sempre tem uma reflexão para acontecimentos corriqueiros.
Fiquei bem decepcionada com o livro, depois do filme pensei que ele seria mais profundo, mas os detalhes que foram enxugados na adaptação não fizeram a menor diferença para mim. Outro ponto que me entristeceu foi não encontrar a capa original do livro, e, como se não bastasse o preço salgado, as páginas são brancas. E aqui vai meu desabafo para algumas editoras que elevam os preços de seus títulos, mas não fazem o mesmo pela qualidade editorial, um completo desrespeito.
Para finalizar, com certeza NÃO vai ser um livro que irei reler, talvez você que curte histórias com adolescentes desajustados goste, mas acho que essa fase minha já passou. E talvez a minha decepção esteja ligada a falta de identificação e por hoje não gostar de ver os jovens representados como seres sem autoestima (a Sam e a irmã de Charlie representaram bem isso), levados apenas por prazeres momentâneos, que não conseguem conhecer a si próprio e precisam de um cigarro, maconha ou bebidas para se sentirem bem.






Bom gostei da resenha, afinal cada pessoa tem uma visão sobre determinados livros, eu ao menos gostei da construção do personagem do Charlie pelo autor devido ao fato dele não ser aquele típico adolescente americano 'popular', mas sim, um menino comum, que deseja ter amigos e se sentir parte de algo,sem contar que o autor trouxe temas como homossexualidade,violência doméstica temas polêmicos, mas que ele soube desenvolver super bem. Eu ao menos amei esse livro, li ele pelo menos umas 2 vezes. Beijos
ResponderExcluirhttp://www.umagarotachamadasam.com.br
Entendo sua perspectiva. E apesar do autor trazer temas polêmicos, achei que ele poderia ter levado com mais seriedade. A irmã do Charlie apanha, engravida é literalmente humilhada, mas permanece com um relacionamento que só lhe faz mal, até que ela muda de namorado e no fim fica tudo ok! E pelo que vi pareceu um círculo vicioso, já que na família do pai do Charlie ocorreram coisas parecidas. Ao meu ver a homossexualidade foi levada como algo "experimental", curiosidade... Já que no fim, até o Charlie se permite levar um pouco. O que eu pude retirar de tudo isso foi a dificuldade de se assumir e de tentar esconder algo. Acho que apesar do livro unir temas polêmicos eles ficaram jogados, era algo que poderia ter sido melhor aproveitado, em vez de o autor ter dado lugar a diálogos fracos... Acho que eu não conseguiria ler um livro com tantas piadinhas sexuais novamente.
ExcluirEu sempre gostei de livros com temáticas desse tipo mas faz muito tempo que não leio nada assim, por isso não sei se, hoje, eu gostaria desse livro também. Gostei muito da sua resenha, ela foi extremamente sincera. E sobre a qualidade da edição baixa e o preço do livro alta: sempre odiei isso e também sinto que é uma falta de respeito enorme com o leitor.
ResponderExcluirAbraço,
literarizei.blogspot.com
Olá Sabrina! Muito obrigada por visitar meu blog.
ResponderExcluirQuero te dizer primeiramente que amei seu blog e sou como você no quesito livro! Eu amo ler , ler e ler e quero sempre livros pra saciar minha vontade de ler kkk
Vou seguir seu blog.
Amei a resenha, eu vi o filme, mas não poderia imaginar que o livro fosse menos...
Obrigada pelas dicas e até logo.
www.chuvanojardim.com.br
Pois é, tive exatamente o mesmo problema que o seu! Não irei reler o livro também! Que bom que visitou meu blog, amei sua resenha, vou te seguir hein! Bjs
ResponderExcluirwww.resenhandocomgab.com.br
Oi, Sabrina!
ResponderExcluirEu amo esse livro, e também o filme. Não acho que seja vazio, e muito menos que trate de sexo e drogas. Charlie é uma pessoa sensível, que se importa muito com a dor dos outros - e todos os personagens desse livro são vítimas de abuso, por isso não são incríveis e perfeitos - mas são, sim, fortes. Enfim, não é uma temática exclusivamente adolescente.
Beijos!
www.blogsemserifa.com