11 dezembro 2014

[RESENHA]: Fazendo Meu Filme 4: Fani em busca do final feliz- Paula Pimenta


Título: Fazendo Meu Filme 4: Fani em busca do final feliz
Autora: Paula Pimenta
Editora: Gutenberg
Páginas: 605


"Nenhum filme é melhor do que a própria vida."


Fazendo meu filme 4 é o aguardado desfecho da série que envolve o casal mineiro mais fofo de todos os tempos, Fani e Leo.
Quem leu o terceiro livro sentiu o clima pesado do final que não terminou nada bem... E assim que o último livro chegou as minhas mãos fiquei desesperada pra saber se a Fani e o Leo realmente se separariam sem chance alguma deles reatarem.



E digamos que eu fiquei surpresa com que encontrei. O livro é dividido em três partes, Fani, Leo, Fani e Leo. Compreenderam? Primeiro vem os capítulos destinados a Fani, onde a própria personagem narra de uma forma nostálgica seu momento atual, pós- faculdade, pois é já nas primeiras folhas nos deparamos com uma Fani diferente, madura, dona da própria vida. Ela não só se formou em cinema como também está terminando a sua pós-graduação e em breve um festival poderá mudar sua vida. Isso porque seu trabalho de conclusão de curso (um longa metragem) foi selecionado para uma acirrada disputa. Mas para entendermos como ela se tornou uma profissional competente e requisitada em Hollywood precisamos saber como foi esse percurso. Portanto, um capítulo é da Fani com 23 anos e o próximo tem início com a sua chegada a Los Angeles e assim sucessivamente até o grande dia do festival que reserva muitas surpresas.



Sinceramente, fiquei tão acostumada a ler tudo sob a perspectiva da Fani que quando cheguei à parte do Leo achei tudo bem mais interessante. Não tinha aquele drama todo e a choradeira que a protagonista sempre arrumava. Não que ela não tivesse motivo, mas de certa forma ela sempre complicava as coisas e sofria desesperadamente por tudo.

Embora o Leo também tenha sofrido achei a parte dele mais realista. Nada do glamour de Hollywood, festas em parques da Universal, Warner e etc. Muito pelo contrário, o garoto teve que crescer e batalhar muito.  Afinal estamos falando de Brasil. A separação do casal, por um lado, foi positiva para que cada um seguisse seu rumo e pudesse se dedicar realmente ao que gostavam. Se não fosse pelo rompimento certamente o Leo teria cursado administração em vez de Jornalismo que era o que ele sempre almejou.

Assim como na parte da Fani temos de inicio o Leo com 23 anos e capítulos que se mesclam entre a atualidade e o passado quando ele se mudou para o Rio de Janeiro, com 18 anos.

Por meio do presente e pela viagem ao passado temos um verdadeiro contato com os sentimentos do Leonardo. O que passou pela sua cabeça depois do término, se ele tentou ou não entrar em contato com a Fani entre outras coisas. Mas como eu disse antes, a parte dele me tocou mais. Ele abriu mão de ficar com o amor da sua vida para que ela realizasse seu sonho de ser cineasta, mas e ele? Tudo bem que ele fez o curso que realmente queria jornalismo, mas não obteve tudo de uma forma tão fácil quanto a Fani. Ele não saiu por ai recebendo bolsas de estudos, apartamento super decorado e mobiliado com tudo do seu gosto, já não ganhou logo no seu primeiro dia de faculdade um estágio, não foi paparicado por todos. Sua vida foi como a de muitos  universitários:  Morou uns anos com os tios, ralou pra pagar aluguel do seu então apartamento, correu atrás de estágio e mesmo depois de terminar a graduação não trabalhou somente com o que gostava e seu salário não era uma fortuna. Ficou com várias mulheres, mas mesmo assim nenhuma delas preencheu o vazio chamado Fani. E pra tentar amenizar o sofrimento, ele se especializou em jornalismo cultural, criou uma revista eletrônica ( que era na verdade um hobby pra fugir de um trabalho estressante) com ajuda de alguns amigos, pra divulgar suas resenhas e enxergar a arte de uma forma crítica. Porém, o destino tratou de sorrir para o garoto, já estava mais do que na hora, e colocou em suas mãos a chance de poder cobrir certo festival internacional... Advinha aonde?


Fazendo meu filme 4 apesar de ser bem mais longo que os outros livros da série faz com que a gente apresse a leitura pela ansiedade de saber se o Leo e a Fani finalmente ficam juntos. E não é só isso, como leitora eu ficava querendo ver as reações de ambos e comparar com as memórias que eu tinha dos dois quando eram adolescentes e ver o quanto as pessoas podem mudar. A Fani que sempre foi muito tímida me surpreendeu em várias partes, mas mesmo assim não é difícil achar nela resquícios de uma garota, insegura, envergonhada e que apesar dos sofrimentos no campo afetivo, ainda acreditava em finais felizes.

Já o Leo fez com que eu me apaixonasse por ele e por suas palavras. Acho até que a Paula Pimenta poderia escrever um livro com a história toda pelo ângulo dele sem aquele transbordamento todo de lágrimas da Fani que poderia, com toda a certeza fazer os níveis do Cantareira subirem. Em outras palavras me identifiquei demais com o garoto!

Achei o livro também mais poético do que de costume, as músicas continuam constantemente presentes e não só descobri como recordei algumas, foi muito bacana. Fiquei impressionada com o fato de que cada música escolhida se encaixava perfeitamente no romance e graças a isso também criei o hábito de escolher com cuidado as músicas que me acompanham, pois toda trilha sonora tem seu significado.

Apesar de eu ter achado a vida da Fani muito fácil (sei que ela sofreu, sem querer ser injusta), ela continuou sendo simples, simpática e é isso que encanta o leitor. Não posso me esquecer de mencionar que através da história podemos conhecer locais muito interessantes, é como se a gente fizesse uma viagem pra Califórnia e tivéssemos como guia turística a Fani. Por isso, quando forem ler FMF4,  preparem-se para conhecer a Warner Bros, Universal City, Hollywood Sing, Las Vegas e um restaurante mexicano bem apimentado.

Ah, outro ponto que me chamou atenção foi que os protagonista  perderam contatos com amigos que eles juravam que eram pra toda a vida (bem verdadeiro isso também) e foram surgindo outros também muito importantes como o Alejandro, por exemplo, que eu amei.

E, pra terminar, quero dizer que foi muito difícil me despedir da série, eu me apeguei de verdade à história,  aprendi e conheci lugares novos. Vou ser sincera também e dizer que depois de tantas confusões e reviravoltas eu não via a hora do final feliz chegar, não só pra Fani, mas para o Leo.



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