08 fevereiro 2014

[RESENHA] Morte Súbita- J.K.Rowling




Título original: The Casual Vacancy
Autora:  J.K. Rowling
Ano: 2012
Editora: Nova Fronteira


Uma história complexa, em uma pacata cidade, onde vida e morte se  entrelaçam.

Você já morou em uma cidade pequena? Olha, para ser sincera, eu nunca. Mas ouço muito falar e já vi em várias novelas e filmes como deve ser.
O estereotipo, é sempre  marcado por aquele lugar pacato, onde todos se conhecem e qualquer acontecimento é espalhado como que na velocidade da luz. E um mexerico é tratado com grande entusiasmo, como se fosse um presente dos céus para preencher os tempos vazios.
Em Pagford não é diferente. Uma fofoca é sempre bem-vinda. E assim foi com a morte súbita de Barry Fairbrother.
O livro começa com a única página onde se tem narrado sob a perspectiva de Barry, como ele se sentia antes e durante a dor que o tomou, e culminou no seu falecimento.
Os próximos capítulos, então, trata esse fato, dentre outros, sob a ótica dos moradores de Pagford.



Personagens principais:
Barry Fairbrother e Mary: Os dois eram casados a 19 anos. Eram, porque Barry, Conselheiro da cidade, um importante cargo político, como disse no inicio, foi surpreendido por uma morte repentina.


Howard Mollison, dono da loja Delicatéssen, juntamente com sua esposa e seus familiares são os que mais me causaram repulsa. A vida dos outros é para eles mais importante do que a própria. É possível perceber nesses personagens um tanto quanto mesquinhos, hipócritas e com espírito de porco o quanto eles mostram  um pouco da nossa realidade. Muitas pessoas, infelizmente, agem como eles.

Gavin, Kay e Gaia:
Gavin mantém um relacionamento forçado com Kay, pois o mesmo prefere enrolar a namorada, ao invés, de ser HOMEM  e terminar. Gavin é um dos personagens que menos gosto. Sua indecisão e covardia são detestáveis. Kay também tem seu lado irritante, por se iludir e apostar em um “cara” que não lhe atribui nenhum valor. Já sua filha, Gaia é uma das adolescentes do livro, que tem como plano se vingar da mãe. Veio de Londres para a pequena Pagford, totalmente contra a sua vontade, deixando suas amizades de infância e o namorado para trás.
"Escolher é algo perigoso: quando escolhemos, temos que abrir mão de todas as outras possibilidades." Gavin Hughes

Andrew, Paul, Ruth e o crápula Simon Price, formam uma família repleta de contrastes e confrontos. Simon é um pai e marido, agressivo, rude, desonesto e extremamente babaca.  Sua esposa, Ruth, é uma enfermeira completamente submissa ao marido.

Tessa, Bola e Colin: Bola, é o apelido de Stuart, um garoto magro, sarcástico e com a língua bem afiada. É "filho" de Colin Wall (pombinho) vice- diretor do colégio onde estuda a, Winterdown , o qual nutre um intenso desprezo e rancor. Já sua mãe é a orientadora do mesmo colégio, e  faz o tipo de mulher fraca. Finge não ver muitas vezes o que é obvio e tem um frágil controle sobre o filho.

Terri e Krystal Weedon: Mãe e filha, vivem em Fields, uma espécie de "favela" que invadiu Pagford. E por isso, é alvo de intenso ódio e acalorados debates com o objetivo de se retirar o cortiço dos limites da pequena cidade.
Terri, é usuária de heroína, e  já passou por poucas e boas na vida. Vários problemas familiares, violência sexual e abandono compõe a sua história de vida. E com a filha não é diferente, Krystal, uma adolescente problemática parece seguir os passos da mãe.
Parminder e Sukhvinder: Mãe e filha perceptivelmente não se entendem. O falecido Barry funcionava como uma ponte para as duas. Mas, com o seu falecimento essa ponte acabou rachando e se quebrando. Sukhvinder é uma das personagens que mais gosto. Ela é vítima de bullying e cyberbullying, principalmente pelo cruel, Bola.
Não sei se foi possível perceber, mas a vida de cada um dos personagens são muito ligadas umas as outras. E isso é um dos fatores que nos prende na leitura.
A todo momento, eu ficava fascinada para saber, as revelações, as próximas ações, segredos, mentiras e hipocrisias por trás de todas aquelas vidas.
O debate travado sobre Fields e seus moradores também é muito interessante e de certa forma mostra o pensamento da classe dominante sobre os desfavorecidos e marginalizados. E um dos pensamentos que eu acho que cada opinião pode estar sedimentada é a de que o sujeito é determinado pelo meio em que vive. E que para os excluídos e drogados não há recuperação. Apesar de ter personagens que defendem totalmente o contrário.
Antes de ler o livro, acompanhei algumas resenhas e encontrei várias criticas negativas, e isso foi responsável por fazer eu adiar a minha leitura. Um grande erro! O livro é incrível! E assim, como em Harry Potter, eu me sentia em Hogwarts, em Morte Súbita eu me sentia uma das moradoras do vilarejo Pagford e da caótica Fields.
Muitos dos sentimentos que eu sentia, quando eu era uma adolescente a J.K.Rowling, conseguiu, mais uma vez, expressa-los com uma naturalidade e autenticidade invejável.
E por fim, a leitura além de prazerosa  me fez ter mais orgulho de ser uma enorme fã dessa escritora espetacular.

4 comentários:

  1. Eu já morei em cidade pequena, e é bem isso. TODOS te conhecem e dificilmente algum segredo fica oculto se você o divide com um vizinho ou vizinha, rs. Acho que o aspecto muito marcante desse livro se deve à quantidade de pontos de vista e como a morte de Barry impactou a todos. Alinhado à ótima escrita da JK, apesar de algumas críticas negativas, concordo com você, os segredos e tudo o mais envolvem o leitor de maneira espetacular, de forma que sentimos que somos moradores da cidade tbm! :)

    Beijos!
    Lygia - Brincando com Livros

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    1. Com certeza, um dos pontos mais importante foi a influencia que a morte de Barry causou a todos de uma certa forma. Sua morte perturbou toda a Pagford interferindo direta ou indiretamente na vida daqueles que nem eram tão próximos dele.
      Foi interessante também, tentar compreender a personalidade daquele protagonista ausente pela perspectiva dos outros personagens. Cada um tinha sua visão de quem foi Barry Fairbrother e eram opiniões muito singulares.

      Beijos! E obrigada pela visita! =)

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  2. Moro em cidade pequena, ou semi pequena, não sei a definição de cidade pequena pra ser sincera HAHAH E olha uma coisa eu digo: povo gosta mesmo de uma fofoca, as vezes é filho do amigo do sobrinho do tio da vizinha da mãe da pessoa mas ela tá contando a "boa nova". O livro parece interessante, mas digo que tenho uma sisminha com a JK Rowling por motivos de que não gosto de Harry Potter! kkk
    Gostei da resenha e fiquei curiosa pelo livro!
    beijao
    http://cheiade-alegria.blogspot.com.br/

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    1. Acho que, em todos os lugares, sempre tem muita fofoca, seja no ambiente de trabalho, escola entre vizinhos. Não é só um privilégio das cidades pequenas, mas costuma ser mais intenso. É chato e feio! Mas, que atire a primeira pedra quem nunca participou de uma fofoquinha!rsrs Olha... quando eu era mais nova, também tinha uma cisma com Harry Potter, achava que era uma modinha passageira! Há pouco tempo eu resolvi deixar meu preconceito de lado e mergulhar nas histórias que tantas pessoas são apaixonadas e entender o por que disso. E olha, não me arrependo! Não só entendi como senti.
      Te aconselho a não julgar os autores também! Isso pode fazer com que você perca uma grande história. E Morte Súbita é completamente diferente de Harry Potter, te garanto! =)

      Beijos!!!

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