Não sei bem quando isso começou e nem por que... talvez tenha sido quando os celulares passaram a ser mais acessíveis e embutidos com câmeras digitais e criado um meio de levar com a gente não apenas as palavras de uma SMS e a possibilidade de ser localizada (mesmo não querendo ou exista alguém que queira me encontrar). Mas desde então tenho carregado um pedacinho do céu comigo. Comecei levando precisamente cerca de 93 x 46 x 18 mm. Com o desenvolvimento da tecnologia e a minha maior capacidade de compra ( pra ser verdadeira, dos meus pais), os pedaços desse céu foram aumentando, e seu peso se tornando mais leve.
A
mesma coisa, não posso dizer sobre as sua cores e formas que mudam
constantemente de uma figura a outra, basta um esforço de imaginação. Seus tons, eu percebia se alteravam de azul e branco a
cinza e preto e até a um alaranjado.
Uma parte que me empolgava, é que as máquinas podiam ampliá-los também de forma que eles pareciam cada vez mais próximos. Tão próximos, que a cada fotografia, a cada zoom parecia que eu conseguiria alcançar uma dimensão que nem os próprios pássaros, tão íntimos daquela infinitude, podiam. Talvez eu poderia até espiar suas profundezas.
Garotas
na minha idade deveriam estar se divertindo por ai, fotografando qualquer outra coisa
menos o céu. Talvez, beijos ou suas roupas e seus cabelos contidos e arrumados
em frente ao espelho. Mas não, eu fotografo pedaços de algodão distantes. Desejando, sempre estar a carregar amostras do céu que paira sobre mim.



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